Fundado em 1971, casa noturna virou ponto de encontro da cidade e de artistas que vinham de fora curtir o local à beira-mar.



A segunda-feira, dia 8 de junho, começou com mais uma demolição no bairro de Coqueiros. Depois de tantos outros prédios e monumentos históricos como a Casa Rosa e o Trapiche da Praia da Saudade, chegou a vez do famoso Restaurante Dançante Tritão.
Fechado desde a pandemia do Coronavírus, o prédio foi destruído junto com o terreno ao lado que abrigada, há muitos anos, uma colônia de pescadores e uma família tradicional de Coqueiros. No local, será erguido um empreendimento imobiliário de responsabilidade da Construtora Coral.


Em entrevista à Folha de Coqueiros em outubro de 2023, o empresário César Ávila, então com 89 anos, contou um pouco da história do Tritão.
“Abrimos o Tritão com a proposta de funcionar como um bar-restaurante com atendimento durante todo o dia. Foi mais no peito e na coragem e sem muita expectativa de público. Mas, ao contrário, o local virou ponto de encontro e explodiu. Nas sextas-feiras, os clientes chegavam a vir de Blumenau, do Rio Grande do Sul e até atores como Vera Fischer eram assíduos frequentadores”, recorda.
César Ávila, junto com o sócio e ex-proprietário da empresa Pedrita, o saudoso Paulo Gil, fundou o Tritão em 27 de maio de 1971. O prédio foi erguido no terreno alugado do engenheiro Rui Ramos Soares, pai do aposentado e morador da Praia da Saudade, José Rui.
MOBILIZAÇÃO COMUNITÁRIA
Diante de uma história que completou 55 anos no último mês de maio, a comunidade está mobilizada para guardar um pedaço da memória de Coqueiros. Há dois anos, a Associação dos Moradores de Coqueiros está promovendo eventos culturais no estacionamento do antigo restaurante.
“A Ocupação Cultural Tritão nasceu em 2024 após a comunidade realizar uma “procissão luminosa” para cobrar iluminação e segurança para a área”, coloca o presidente da Associação Pró-Coqueiros, Leonardo Contin.
A proposta, já que o espaço é público, é construir um ambiente de lazer que estimule várias manifestações artísticas como dança, música, pintura, entre outras. Dois projetos já estão sendo elaborados: uma praça sugerida pelo ex-vereador e morador do bairro Marquinhos, e uma Arena Cultural com apresentações circenses e outras mostras culturais.
DOCUMENTO PEDE A PRESERVAÇÃO DAS ÁRVORES
Além de manter a área de uso público, que hoje já é ocupada por uma feira livre às terças-feiras pela manhã, a comunidade também quer preservar as árvores que estão no terreno que será ocupado por um prédio. Para tanto, a Pró-Coqueiros enviou um ofício à Coral Construtora solicitando a permanência das “figueiras centenárias”.
Ao receber o documento, a gerente administrativa, Daniela Galvão, informou que as árvores não serão derrubadas, apenas podadas. Segundo ela, somente a vegetação que está dentro da área onde será erguido o empreendimento da construtora será retirada.
Daniela também garantiu que a área em frente ao antigo Restaurante Tritão não será incorporada ao projeto da Coral pois, de acordo com a gerente, o terreno é público e a construtora segue o que está dentro da lei.
Quanto à limpeza do terreno com a demolição de casas e do prédio antigo do Tritão, a gerente aponta que “ação está sendo feita a pedido da Vigilância Sanitária. Estamos limpando o espaço por medida de segurança, já que têm muitos entulhos e pode trazer riscos à população. Após a limpeza, o local será cercado para evitar invasões”, afirma.






Figueiras centenárias fazem sombra à beira-mar.







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