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Venha conhecer a Fundação Hassis. Instituição celebra 25 anos na Praia de Itaguaçu.

Além de mais de duas décadas divulgando arte e cultura, Fundação também comemora os 100 anos de nascimento de Hassis, artista que dá nome à instituição, no próximo mês de julho.

Se você ainda não conhece a Fundação Hassis, chegou o momento. Pertinho da Praia de Itaguaçu, a instituição completa 25 anos, em 2026, e está aberta para receber os visitantes. Um convite, com certeza, para mergulhar num espaço que respira arte, cultura e muita história.

Criada em 2001 logo após o falecimento do artista plástico Hiedy de Assis Corrêa, o Hassis, a Fundação funciona exatamente na casa em que o artista construiu – em 1969 – para morar com a família e produzir as suas obras. Para tanto, montou o seu ateliê que ficava na garagem, bem na entrada da residência.

“O estúdio não era apenas um local de trabalho, mas um ponto de encontro, onde o incansável pesquisador recebia de braços abertos amigos, artistas e a nova geração”, coloca a diretora artística da Fundação Monique Fonseca, acrescentando:

“Ali, da tela às grandiosas placas de Eucatex, passando por caixas de papelão, Super 8 ou vídeo, Hassis fazia de qualquer superfície um tema a ser visualizado. E rodeado por seus painéis em seu ateliê, um sonho erguido na Praia de Itaguaçu, é a imagem recorrente de um artista obstinado que nunca cessou de criar”, define Monique.

UM PASSEIO PELA FUNDAÇÃO

Hoje, reformada, a casa preserva um vasto acervo do artista que retratou, de forma constante, situações do cotidiano, as marinhas, os temas sociais, o folclore ilhéu e os lugares e personagens da terra catarinense, onde viveu desde criança e também onde tornou-se personalidade destacada no contexto cultural.

E foi através da preservação do patrimônio, um dos principais pilares da Fundação Hassis – além da agenda cultural, arte e educação -, que a instituição recebeu Certificado de Menção Honrosa da ACCR (Associação Catarinense de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais). Um reconhecimento pelo primoroso trabalho de guarda e difusão do acervo promovido pelas filhas Leilah Corrêa Vieira e Luciana Paulo Corrêa, hoje diretoras da Fundação.

Na casa, estão guardadas pinturas, colagens, desenhos, cartazes, murais, filmes, vídeos, fotografias e documentos. Ao todo, são quatro salas de exposição – incluindo a Sala Vento Sul e o Museu – e duas reservas técnicas contendo mais de 3 mil obras, 10 mil fotos, 10 mil documentos, vídeos, filmes cinematográficos e laboratório de conservação.

Recentemente, foi restaurado o Painel Humanidade, pintado por Hassis, na década de 1970. Ele está exposto à visitação e abrigado na antiga garagem da casa, onde o artista mantinha o seu ateliê. O mural serviu de inspiração para construir o famoso Painel Humanidade que se encontra na Igrejinha da UFSC.

Hassis reuniu elementos bíblicos e muita cor vibrante como verde, vermelho e amarelo para retratar o Apocalípse como ele mesmo definiu ao projetar o mural.

“Nosso pai sempre gostou de ler a bíblia. E esse trabalho foi uma de suas grandes obras. Por isso, a necessidade de recuperar a pintura. Cada milímetro de seu talento foi preservado pela nossa equipe e, assim, o mural foi mantido vivo”, celebram Leilah e Luciana.

HASSIS PARA CRIANÇAS

Além do cuidado em preservar a coleção de obras de Hassis, há também uma atenção através da arte. Pensando nisso, a Fundação Hassis criou a Coleção Hassis para Crianças, projeto aprovado pelo PIC (Programa de Incentivo à Cultura) da Fundação Catarinense de Cultura e patrocinado pela Santa Apolônia Hospitalar.

O projeto desenvolveu três livros com linguagem lúdica sobre as obras de Hassis, que foram distribuídos para as escolas, entidades e secretarias de educação municipal e estadual.

Esse material também está sendo usado na Fundação como apoio para instituições que visitam o espaço. Um bom exemplo são as escolas que que agendam visitas guiadas e levam os alunos para conhecerem as obras de Hassis.

Ano passado, por exemplo, a Semanada do Ateliê, evento promovido durante o mês das Crianças, recebeu mais de 600 crianças na fundação. “A proposta era justamente trazer crianças e adolescentes para espaços culturais e, principalmente, para eles conhecerem os artistas da cidade. E o resultado foi muito positivo”, aponta Luciana Corrêa.

 Ao todo, visitaram a sede da Fundação Hassis, 650 crianças de 3 a 7 anos e adolescentes de 15 a 18 anos. No passeio pelas salas, os alunos puderam apreciar a Exposição Intenso e Leve Traço de Hassis, mostra que incluiu uma série de pinturas sobre paisagens marinhas.

EXPOSIÇÃO ATUAL

Até o mês de maio, os visitantes poderão apreciar a Exposição ARTEPOEMA. À frente da mostra, dois expoentes da cultura catarinense: o jornalista e escritor Silveira de Souza e o artista plástico Hiedy de Assis Corrêa, o Hassis.

Da parceria, foram criadas 10 obras que pertencem à série lançada em 1982 e que, agora, estão expostas na Sala Vento Sul para apreciação dos visitantes. “O público poderá testemunhar não apenas uma colaboração, mas uma fusão estética em que a palavra e o traço ocupam o mesmo espaço de inquietação”, destaca Monique.

NO MUSEU

Também em exposição está Hassis: O Ateliê e a Criação sem Limites que acontece na sala do Museu da Fundação. A mostra reúne três grandes painéis, fotos e na entrada uma recepção um tanto diferente. Para dar as boas-vindas aos visitantes, os materiais que Hassis usava estão acomodados ao lado da porta principal: cavalete, tintas, pinceis e uma foto antiga do artista.

PARA PESQUISA

E para quem quiser conhecer um pouco mais a trajetória de Hassis, já foram disponibilizadas ao público mais de 400 horas de filmes para pesquisa. O trabalho, feito por uma equipe técnica, exibe as produções artísticas de Hassis, momentos em família, além de registros do crescimento da cidade, entre outros acontecimentos.

Trata-se do “Projeto Hassis – O Videasta”, que tem por objetivo preservar o acervo audiovisual criado pelo próprio artista e democratizar o seu acesso. “Hassis foi um personagem fundamental na história da arte do estado de Santa Catarina, cuja obra dialoga intensamente com a cultura, os costumes e o cotidiano do estado”, explicam Leilah e Luciana Corrêa.

Para assegurar a conservação dos materiais originais, um grupo de profissionais promoveu a higienização e digitalizou 28 filmes em Super 8,  32 fitas VHS e 900 slides. “Ele tinha uma grande preocupação com a memória. De costume, deixava a câmera ligada, num plano único, e filmava a sua produção”, coloca o cineasta e jornalista Zeca Pires, um dos responsáveis pelo trabalho, ao continuar:

“Um registro de grande importância para a pesquisa e para a cidade, não só apresentando o Hassis artista, mas também o Hassis família, o ser humano. Os filmes, além das obras e momentos históricos como as decorações de Carnaval feitas no Clube Doze, mostram as filhas debutando, o nascimento dos netos, a construção da casa em Itaguaçu, onde hoje funciona a Fundação”.

CENTENÁRIO

Dando início às comemorações do seu centenário, Hassis foi homenageado no Carnaval 2025 pela sua escola de coração: a Embaixada Copa Lord, que levou para a avenida o Samba-enredo “Ontemanhã- O Tempo nos traços de Hassis”.  A escola ficou em segundo lugar e mostrou, além do colorido, a paixão do artista pelo Carnaval.

Por anos, Hassis fez a decoração de Carnaval nos principais salões da cidade, sendo o mais tradicional o do Clube 12 de Agosto.

Hassis completará 100 anos de nascimento em julho de 2026, e diferentes eventos estão previstos na programação como: exposições e restauro do acervo.

Outra obra de destaque e que também faz parte das comemorações do Centenário é o mural da fachada do Hotel Valerim, no centro de Florianópolis. Escolhida da Série Hassis Moderno, a obra Arquibancadas está estampada em toda a dimensão do prédio, tema retratado várias vezes pelo artista que é o Circo.  Sendo assim, o desenho exibe as expressões no rosto dos espectadores unidas às cores escuras e fortes, as preferidas do artista.

“E mais uma vez o verde e amarelo para não esquecer que somos bem brasileiros. Será que o circo representa um Brasil? Será que o vermelho é a contestação? Hassis faz uma paródia, pois o toldo do Circo pode sustentar muitas coisas. O espectador grita e as cores também”, define a Maria Tereza Lira Colares.

Ela assina o prefácio do catálogo Hassis Moderno que, além de Arquibancadas, também apresenta mais duas séries: Guarda-chuvas e Bananeiras.

Realizada pela Fundação Hassis, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a obra conta com apoio da empresa DOT Digital Group. O trabalho de pintura é do artista Rodrigo Rizzo, com produção executiva do Estúdio de Ideias Produtora.

“A proposta foi divulgar um de seus trabalhos, e não o retrato, para as pessoas conhecerem a sua obra. E assim, trazer mais arte para perto da população e integrar o roteiro cultural da cidade”, destacam Luciana e Leilah.

PORTA SECRETA

Para fechar com chave de ouro a visita na Fundação Hassis, quem for até a Praia de Itaguaçu, além de admirar o conjunto de pedras espalhado no mar, também precisa desvendar o mistério da Porta Secreta.

Abrigada em uma parede do Museu, no andar térreo da Fundação, a Porta chama a atenção dos visitantes, especialmente das crianças que vão em grupo com as escolas. Entre as perguntas, “o que tem atrás da porta e quais os objetos que nela estão pendurados”?

E a resposta é simples: a Porta antes servia para fechar uma sala onde Hassis guardava filmes super 8, fotografias, registros sobre sua produção e arquivos sobre a arte catarinense. Atualmente, como memória, serve para expor desde o número da casa que Hassis viveu com a sua família, hoje sede da Fundação, até os óculos do artista. 

SAIBA MAIS

A Fundação Hassis foi criada em 2001, pouco depois da morte do artista que lhe dá o nome. As filhas Leilah Corrêa Vieira, Luciana Paulo Corrêa e sua esposa Nazle Paulo Corrêa, tomaram para si a tarefa de manter viva a memória de Hassis, florianopolitano de coração que marcou a história das artes plásticas catarinenses com seu traço inusitado e sua técnica marcante.

Falecido no início de 2001, Hassis deixou um vasto acervo de obras em diferentes suportes e estilos espalhadas pelo estado de Santa Catarina e pelo Brasil.

O ARTISTA

Hiedy de Assis Corrêa – o Hassis, era natural de Curitiba (PR) e veio para Florianópolis com pouco mais de dois anos de idade. Começou a demonstrar sua criatividade desde a infância, quando empolgava-se com as revistas em quadrinhos, seus movimentos, formas e cores. Mas foi em 1948 que, através do convite de seu professor de português, o artista deu início à sua carreira ilustrando o conto “Flores” e a capa do livro “Terra Fraca”.

Toda a evolução plástica de Hassis aborda seus registros de infância, situações do cotidiano, as marinhas, os temas sociais e sempre o folclore ilhéu, os lugares e personagens da terra catarinense.

Dos diversos temas que abordou em sua obra, em murais, desenhos ou pinturas, apresentou em 1962 os 14 passos de sua Via Crucis, onde consegue expressar toda serenidade de Cristo no sofrimento do Calvário.

SERVIÇO

A Fundação Hassis é aberta ao público e promove eventos como exposições, palestras e lançamentos de livros. Também recebe visitas de escolas e grupos em geral. Veja como participar de visitas e pesquisas abaixo:

Endereço: Luiz da Costa Freysleben, 87 – Itaguaçu
Horário: de segunda a sexta das 13h30 às 17h e sábados das 10h30 às 13h30
Agendar visita: pelo WhatsApp (48) 98812-1036.
Exposições em cartaz: ARTEPOEMA e Hassis: O Ateliê e a Criação sem Limites
Período das exposições: visitas até final de maio
Projeto Hassis – o Videasta: filmes e fitas estão disponíveis em formato digital, e podem ser visualizados na sede da Fundação Hassis.

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