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Reabilitação cognitiva de idosos utilizando a inteligência artificial

4 DEZ 2021


Atualmente, as pessoas com mais de 60 anos representam cerca de 12% da população mundial e estima-se que esse número dobre nos próximos 30 anos.

No Brasil, segundo estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), projeções documentaram que no ano de 2100 a população brasileira será composta por 40,3% de cidadãos com mais de 60 anos (IPEA, 2021). Esse aumento da população idosa virá acompanhada pela crescente demanda em assistência e cuidados.

À medida que a população idosa cresce em todo o mundo, viver uma vida saudável e plena, torna-se um tema de grande interesse.

Assim, manter-se, na medida do possível, autônomo e independente, será um grande desafio aos mais longevos. Logo, diante do aumento exponencial de idosos e do reduzido número de profissionais, deparamo-nos com a seguinte pergunta: robôs providos de inteligência artificial poderão promover o envelhecimento saudável e bem assistido no futuro?

Em primeiro lugar, no cenário apresentado, é importante destacar que o número de pessoas com deficiências físicas e cognitivas também está aumentando, não apenas por causa do envelhecimento da população, mas principalmente devido ao aumento global das pessoas diagnosticadas com doenças crônicas (Hajat e Stein, 2018).

De modo que, o elevado número de pessoas idosas, em todo o mundo, traz à tona a necessidade de profissionais especializados, intervenções e ferramentas específicas a fim de atender as demandas da população idosa mais fragilizada. E com os avanços recentes da robótica e das tecnologias de informação e comunicação (TICs), evidenciam-se o uso de robôs (máquina, autômato de aspecto humano, capaz de se movimentar e de agir) e de programas com inteligência artificial (ex.: softwares como a Alexa, Siri, Google Voice, dentre outros aplicativos) para reabilitação que se tornaram promissores na promoção da saúde e no auxílio com exercícios e estimulação para pessoas com declínio cognitivo ou diagnosticadas com algum tipo de demência.

Com a utilização dos robôs, por exemplo,  criou-se meios de interação social, comunicação e intervenções no humor dos seus usuários, auxiliando na saúde mental e eficácia do treinamento cognitivo (Siciliano e Khatib, 2016). Tais tipos de intervenção já estão sendo utilizadas em várias partes do mundo. E resultados positivos têm sido documentados em periódicos de grande impacto e relevância, como os projetos a seguir:

  • Paro”: foca robô bebê, utilizada para fins terapêuticos, com a intenção de ser adorável e ter um efeito calmante, despertando respostas emocionais em pacientes de hospitais e casas de repouso, semelhante a terapia assistida por animais, só que com o uso de robôs;
  • “Bono”: sistema baseado em diálogos com fotos e narração de histórias para adultos mais velhos, utilizado para o treinamento cognitivo ecológico (temas que congregam as atividades do dia a dia) em pessoas idosas;
  • “Aplicativo My Carer’’: Assistente pessoal inteligente controlado por voz (Voice-controlled Intelligent Personal Assistants – VIPAs) ajuda as pessoas diagnosticadas com a Doença de Alzheimer, em estágio inicial, a seguirem sua rotina diária com um bom nível de independência.

Além disso, a necessidade de profissionais da área da gerontologia, geriatria, neurologia, neuropsicologia, sistemas da informação, dentre outros, é algo evidente. Diante desse contexto, segundo Perracini (2005), surge a Gerontotecnologia, área interdisciplinar de pesquisa e de intervenção psicossocial e clínica, cujo objetivo é o desenvolvimento e a distribuição de produtos, ambientes e serviços, com tecnologia apropriada, para melhorar o cotidiano dos idosos, proporcionando um envelhecimento com qualidade de vida. A Gerontotecnologia considera explicitamente o ambiente tecnológico como um domínio com o propósito de possibilitar aos idosos a realização de suas ambições e objetivos de vida.

O foco está no desenvolvimento de inovações e em adaptações que facilitem a vida dos idosos e diminuam o impacto causado pelas limitações funcionais impostas pelo processo de envelhecimento e por doenças, no que diz respeito tanto ao uso quanto à falta de uso de tecnologia, como também de que forma produtos, serviços e ambientes com tecnologia específica e apropriada podem influenciar o processo de envelhecimento em si.

As aplicações da Gerontotecnologia estão baseadas em cinco grandes objetivos e categorias:

  • Prevenir ou retardar o declínio funcional relacionado à idade;
  • Compensar as limitações funcionais existentes relacionadas à idade e  à presença de incapacidade decorrente de doenças crônico degenerativas;
  • Aumentar o engajamento e a satisfação na participação de atividades laborativas, de lazer e familiares, como forma de dar suporte na velhice para novas oportunidades educacionais, de expressão artística, de trabalho, proporcionando espaços adaptados e de interação social;
  • Dar suporte ao cuidador e aos idosos dependentes, provendo recursos tecnológicos (produtos e serviços) e ambientes apropriados; 5) Desenvolver pesquisa básica e aplicada sobre o envelhecimento e o uso de tecnologia (Perracini, 2005).

Portanto, diante do exposto, nota-se que os robôs poderão nos auxiliar a ter um envelhecimento saudável e assistido. Tais robôs serão programados por equipes de especialistas provenientes de diversas áreas do conhecimento, profissionais ligados à gerontotecnologia, por exemplo, que hoje vem desenvolvendo diferentes pesquisas e projetos que nos dão uma amostra do que está por vir.

Cabe, no entanto, salientar que, apesar de a tecnologia ser um recurso para otimização do desempenho social e funcional dos idosos, impõe a eles também uma série de desafios relacionados à assimilação cultural, aprendizagem do uso, mudanças de hábitos e crenças pessoais, oportunidade de acesso e recursos financeiros.

Saiba mais no 

http://superafloripa.com.br/reabilitacao-cognitiva-de-idosos-utilizando-a-inteligencia-artificial/

Fonte: http://superafloripa.com.br/

 

 


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