Escola Praia do Riso promove evento sobre o Dia Mundial da Astronomia e convida a astronauta análoga Rosa Maria para falar do assunto. Encontro serve de inspiração e troca de experiências com os alunos.

Ela já escreveu um livro, participou de três filmes, faz palestras nas escolas e a criançada a adora. Estamos falando da astronauta análoga Rosa Maria Miranda, uma jovem de 18 anos que é apaixonada pelo universo desde pequena. E o amor é tão grande que, em 2020, durante a pandemia do Coronavírus, ela descobriu sete asteroides no espaço, ao participar do Programa Caça Asteróides, lançado pela NASA em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
E diante de tantas pesquisas e experiências, Rosa Maria atraiu os olhares dos professores e alunos da Escola Praia do Riso, quando participou de evento que marcou o Dia Mundial da Astronomia, comemorado em 8 de abril.
Para receber a astronauta, a escola reuniu alunos dos quintos anos e, durante dois meses, trabalharam num projeto de ciência que envolveu pesquisas relacionadas aos astros. “Na verdade, junto com a professora Cláudia Duwe, já estávamos explorando esse tema que faz parte do conteúdo das aulas de ciência do 5º ano. E a ideia partiu de uma visita da Rosa Maria à escola. Então, resolvemos promover o evento”, explica a professora Jéssica Haetinger Bastos.

“Faz cinco anos que venho conversar com as crianças sobre astronomia. E sempre me surpreende a maneira como sou recebida e a sabedoria delas. Eu não preciso explicar quase nada para os alunos, eles já têm conhecimento do assunto. Um exemplo está nas salas de 5º ano: têm pôsteres maravilhosos de astronomia, do espaço, de foguetes, e os alunos são encantados com o tema. Entre todas as escolas que fiz palestras, tanto aqui em Florianópolis como nas do Estado, nenhuma foi tão especial quanto a Praia do Riso”, declara Rosa Maria.


RETORNO
Para Rosa Maria, o retorno das crianças é sempre gratificante e com bom resultado. Também pudera, diferente de outras ciências, falar de astronomia e universo sempre desperta curiosidade. “Como é que a humanidade foi pra Lua? Como que a humanidade foi pro espaço? Como tudo aconteceu? De onde nós viemos? Para onde nós vamos? Do que somos feitos? E assim por diante. Afinal, olhar para o céu é algo que não é tangível para gente aqui da Terra”, destaca a estudante.
E é justamente essa troca de experiências que, segundo Rosa Maria, traz uma outra perspectiva de vida para as crianças, ou seja, de como a gente se enxerga dentro do mundo. “Aqui na Escola sempre é maravilhoso porque a professora Cláudia costuma contar a minha história antes da conversa com os alunos. Assim, eles já vêm sabendo absolutamente tudo sobre o que eu faço. Então, esse carinho que as crianças me dão, esse reconhecimento e admiração me motiva, e também inspira os alunos a se enxergarem nesta posição”, declara.

MENSAGEM
Como conselho às crianças, Rosa Maria lembra das inúmeras possibilidades de crescimento na área da educação, especialmente no ensino médio e fundamental. Segundo ela, os cursos extracurriculares são um bom exemplo, pois dão várias oportunidades para se desenvolver em projetos, em olimpíadas.
“Eu só estou aqui hoje por causa dos cursos feitos fora da escola. É uma maneira de encontrar formas de mudar o mundo, maneira de contribuir com a ciência, maneira de mudar a vida das pessoas. Então, trazer essas novas oportunidades é algo muito significativo. Tem um mundo de coisas para se descobrir, para se contribuir e para explorar. E um deles é o universo”, sugere.
MULHER NA CIÊNCIA
“Trazer a presença feminina para o mundo da ciência é trazer novas perspectivas, novas soluções. E não é sobre só a presença feminina, é sobre etnias diferentes, sobre pessoas diferentes, de lugares diferentes, sobre faixas etárias diferentes. É trazer olhares diferentes para diferentes problemas, para encontrar diferentes soluções. E quando a gente tem muitos olhares olhando junto para contribuir para a ciência, a gente tem uma ciência colaborativa. Então, a presença da mulher tem sido cada vez mais necessária e temos percebido esse fato de maneira significativa nos últimos anos”.
PERFIL


Rosa Maria Pereira Miranda, 18 anos, é jovem cientista com referência em ciência espacial. Nascida em Florianópolis, está cursando a Faculdade de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
É palestrante há mais de cinco anos em escolas, em eventos, tanto dentro da ciência como em outras áreas de empreendedorismo corporativo, falando sobre astronomia, astrofísica e sobre o mundo empreendedor dos jovens.
Aos 14 anos de idade, na Pandemia do Coronavírus, em 2020, contribuiu de forma voluntária para a NASA, fazendo análises de dados e de imagens em um programa chamado Caça Asteroides, que tem parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Dentro do projeto, descobriu sete asteroides, que são corpos que medem de 20 metros a 900 quilômetros. Estão no espaço e se encontram entre Marte e Júpiter, em um cinturão de asteroides, que é um concentrado desses corpos.
Desde pequena é apaixonada por astronomia e astrofísica. E sempre gostou de olhar as estrelas. E se fascinava ao pensar “o quão pequenos nós somos diante do universo”. Fez cursos gratuitos, disponíveis na internet, e conquistou várias certificações; participou de programas atrelados à NASA e também às outras agências espaciais. Conquistou premiações em Olimpíadas Científicas e construiu nanossatélite.
Aos 16 anos escreveu o livro Meninas Brilhantes: A História de Estrela.
É Astronauta Análoga, titulação que recebeu em 2025, depois de um treinamento pré-militar de astronauta. Em 2025 também foi premiada pelo ISCA, que é uma instituição da Índia, como Jovem Prodígio Internacional.
DIA DA ASTRONOMIA

No dia 8 de abril, Dia Mundial da Astronomia, a Escola Praia do Riso ficou lotada de alunos e suas famílias. Dia para mostrar pesquisas sobre os astros feitas ao longo de dois meses pelas crianças do último ano do ensino fundamental. Mas também foi dia de mostrar que a pesquisa não é a única forma de se aproximar da ciência. Os alunos mergulharam nos estudos da língua portuguesa, explorando o gênero poema.
Inspirados no poeta e jornalista Olavo Bilac, declamaram belíssimos poemas sobre os planetas, Big Bang, universo, sobre a poeira estelar e até sobre os gases e as nebulosas que compõem todo o universo.

“Esse movimento com as crianças de produzir poemas, produzir aulas, também perpassa o brincar com a ciência, com as palavras, com a curiosidade. E pensando no brincar, nós trouxemos também a pesquisa sobre os animais que já foram para o universo. Juntas, as crianças exploraram, discutiram, desenharam e imaginaram esses animais, sua trajetória e o que sentiram. Ao final, discutiram sobre o assunto e criaram, inclusive, um foguete que fez parte do encontro”, aponta a professora Jéssica.

Fotos: Divulgação/ Escola Praia do Riso
Texto: Sibyla Loureiro/Folha de Coqueiros