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Comunidade de Coqueiros lança o site Trapichômetro. Veja como participar.

Ferramenta vai monitorar o atraso na reconstrução do Trapiche da Praia da Saudade, em Coqueiros, a partir de 23 de março de 2023, data anunciada pela Prefeitura de Florianópolis para inaugurar a obra.

O que era para ser um presente de aniversário para a cidade de Florianópolis tornou-se um símbolo de descaso e burocracia. Trata-se da reconstrução do Trapiche da Praia da Saudade, em Coqueiros, obra que deveria ser entregue há três anos, conforme anúncio feito pela Prefeitura da Capital.

Inconformados com a situação e para dar visibilidade ao tempo de espera da população, moradores de Coqueiros lançam o Trapichômetro (disponível em: trapichometro.lovable.app), uma ferramenta digital que contabiliza, em tempo real, os dias de atraso na entrega da obra. Construído na década de 1960, o trapiche ficava no final da Rua Vereador José do Valle Pereira.

Confira abaixo o passo a passo do Trapichômetro e como participar.

O Marco do Descompasso: 23 de Março de 2023.

A contagem do Trapichômetro tem como ponto de partida a promessa oficial, em setembro de 2022. Na ocasião, com a ordem de serviço assinada e um orçamento de R$ 2.480.726,49, a gestão municipal previu a inauguração da estrutura para o aniversário da cidade, em 23 de março de 2023.

No entanto, três anos após o prazo original e mais de uma década após a interdição inicial – ocorrida em 2014 pela Defesa Civil (veja a cronologia abaixo) -, o cenário na Rua Vereador José do Vale Pereira é de abandono. A única etapa executada com sucesso foi a demolição da estrutura antiga, iniciada em novembro de 2023, deixando a comunidade sem o trapiche histórico e sem o acesso adequado à Praia da Saudade.

Uma Cronologia de Impasses

A iniciativa de criar o Trapichômetro surge após uma sucessão de eventos que indignaram os moradores. O histórico da obra inclui:

  • Perda de Verba Federal: Recursos do Ministério do Turismo foram perdidos em 2020 devido a imbróglios jurídicos e falta de licenças.
  • Demolição sem Reconstrução: Em novembro de 2023, a estrutura foi derrubada, mas os trabalhos foram paralisados sem explicações claras.
  • Justificativas Controversas: Em 2025, o secretário de Infraestrutura, Rafael Hahne, alegou que a obra parou porque “alguns moradores” não queriam o trapiche — argumento contestado por um abaixo-assinado de mais de 700 assinaturas favoráveis à reconstrução.
  • Oficinas Incompletas: Das três oficinas prometidas pela Prefeitura para discutir o novo projeto, a última nunca ocorreu, deixando o processo em um vácuo decisório.

O Objetivo: Transparência e Dignidade

Trapichômetro não é apenas um contador de dias. É uma ferramenta de transparência pública. “A comunidade de Coqueiros exige que a verba, que a Prefeitura afirma seguir disponível, seja aplicada em um projeto moderno e acessível”, destaca o Grupo de Moradores responsável pela Campanha Cadê o Nosso Trapiche.

O pleito dos moradores inclui a conexão com a ilhota para lazer e contemplação, garantindo acessibilidade plena e a homenagem ao ex-vereador, o saudoso Renato Cavallazzi (foto abaixo), nome escolhido por unanimidade em assembleia comunitária para batizar o novo equipamento.

“A única coisa que a prefeitura entregou até agora foi a destruição. Queremos saber: se a verba existe e o projeto é necessário, por que o cronograma parou na demolição? O Trapichômetro é o nosso grito por respeito ao dinheiro público e à história de Coqueiros.” — Iniciativa Popular Trapichômetro.


Cronologia do Trapiche da Praia da Saudade

A Era de Ouro e a Construção (Anos 60 – 1980)

Anos 60: O trapiche é construído pelo jornalista Manoel de Menezes. Na ilhota ao final da passarela, ele ergue o Restaurante Atlântico, que depois ganha fama como Arrastão. O local torna-se o epicentro social de Coqueiros.

Início dos Anos 80: Já em estado de abandono após o auge, o restaurante Arrastão é oficialmente demolido.

Revitalizações e Homenagens (1995 – 2003)

1995: A Prefeitura de Florianópolis realiza uma reforma e batiza o espaço como Largo dos Menezes, em homenagem à família de Manoel de Menezes.

Dezembro de 2003: O poder público investe em nova iluminação e realiza obras de reforma e manutenção na estrutura.

Fonte: https://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/jornais/FolhadeCoqueiros/2003/FOL2003073.pdf

O Declínio e a Disputa de Posse (2005 – 2010)

2005: O vandalismo se intensifica. O local sofre com pichações, cercas quebradas e gera insegurança aos moradores devido ao acúmulo de lixo e uso de drogas.

Setembro de 2010: A palavra “Vende-se” aparece pintada no piso do trapiche. A suposta proprietária alega que a concessão fora repassada pelo antigo dono do trapiche ao seu pai e que estaria à venda por R$ 1 milhão.

Fonte: https://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/jornais/FolhadeCoqueiros/2010/FOL2010134.pdf

Fotos Gerson Schirmer/Arquivo Folha de Coqueiros

O Embate Técnico e a Interdição (2012 – 2014)

Março de 2012: O trapiche é interditado pela Defesa Civil devido à destruição das muretas de proteção. A sinalização é derrubada em menos de 30 dias.

16 de Setembro de 2014: Reunião com o MPSC define que há risco de desmoronamento. A orientação oficial da Defesa Civil é pela derrubada e interdição.

19 de Setembro de 2014: O trapiche é oficialmente interditado.

23 de Setembro de 2014: A ACE (Associação Catarinense de Engenheiros) visita o local e contesta a prefeitura, afirmando que a estrutura é perfeitamente recuperável e não corre risco de colapso.

03 de Outubro de 2014: A ACE entrega um manifesto ao prefeito reafirmando a posição contra a demolição e em favor da memória da cidade.

Fonte: https://hemeroteca.ciasc.sc.gov.br/jornais/FolhadeCoqueiros/2014/FOL2014179.pdf

18 de Dezembro de 2014: Audiência pública no IFSC Coqueiros, solicitada pelo vereador Lino Peres, debate o destino da estrutura.

Impasses Jurídicos e Perda de Verba (2019 – 2021)

2019/2020: A prefeitura tenta usar verba federal (Ministério do Turismo), mas a obra é travada por uma liminar judicial e pela falta de licenças da SPU, resultando na perda dos recursos federais ao fim de 2020.

Fonte: https://ndmais.com.br/infraestrutura/trapiche-de-coqueiros-obra-de-revitalizacao-da-estrutura-na-praia-da-saudade-vai-sair-do-papel/

A Nova Promessa e Ordem de Serviço (2022)

21 de Setembro de 2022: O prefeito Topázio Neto e o secretário Valter Galina assinam a ordem de serviço para a reconstrução do Largo Manoel de Menezes.

Fonte: https://www.pmf.sc.gov.br/entidades/smg/index.php?pagina=notpagina&noti=25120

O Projeto: Orçado em R$ 2.480.726,49 (conforme placa instalada no local), a obra deveria ser entregue em março de 2023.

A Fase de Execução, Paralisação e Conflitos (Nov/2023 – Presente)

13 de Novembro de 2023 (Início da Obra): As máquinas chegam ao local com uma nova empresa executora, a MLA Construções Ltda. O cronograma se inicia, porém, a única etapa efetivamente realizada é a demolição total da estrutura antiga. Após derrubar o trapiche, a obra é paralisada sem qualquer explicação oficial imediata da Prefeitura.

Fonte:
https://www.agorafloripa.com.br/florianopolis-obras-do-trapriche-da-praia-da-saudade-em-coqueiros-estao-paralisadas/

Intervenção do MP: Diante do silêncio do Executivo, a associação Pró-Coqueiros, em conjunto com o gabinete da vereadora Ingrid Sataré Mawé, ingressa com uma ação no Ministério Público questionando a interrupção súbita dos trabalhos.

Convocação da Prefeitura: Após a tramitação da ação no MP, a Prefeitura de Florianópolis rompe o silêncio e entra em contato com o Conseg 31 (Coqueiros), solicitando uma reunião com as associações do bairro para tratar do tema.

Fevereiro de 2025 (A Reunião da Igreja): O Secretário de Infraestrutura e Manutenção da Cidade, Rafael Hahne, explica que a obra parou após uma visita técnica sua acompanhada do presidente do Conseg 31. Segundo Hahne, eles ouviram de “alguns moradores” vizinhos que a reconstrução do trapiche não era desejada por questões de segurança.

Foto Paulo Capocci/Arquivo Folha de Coqueiros

O Contraponto Comunitário: Na mesma reunião, o Conseg 31 apresenta um desenho com uma proposta alternativa: a construção de um deck pelo costão da praia, conectando-se à ilhota por meio de uma ponte.

Em resposta, a comunidade entrega ao secretário um abaixo-assinado com mais de 700 assinaturas exigindo a reconstrução imediata do trapiche original.

Fotos Paulo Capocci/Arquivo Folha de Coqueiros

A Pró-Coqueiros manifesta forte preocupação técnica e jurídica sobre rediscutir um projeto que já possuía contrato assinado e estava em fase de execução.

As Oficinas Incompletas: A Prefeitura mantém a obra paralisada e propõe um ciclo de três oficinas para “debater o destino” do local, alegando que a verba segue disponível.

Fotos Márcia Quartiero/Blog do Abraão

Foram realizadas apenas duas das três oficinas previstas.
A terceira e última oficina, que deveria consolidar a decisão, nunca ocorreu.

Março de 2026 (Cenário Atual): A comunidade segue com a Campanha “Cadê o Nosso Trapiche?”. O sentimento geral é de que, se o projeto for de fato revisto, que se execute um trapiche moderno e funcional, superior ao projeto anterior que nunca saiu do papel, em vez de deixar o local vazio e com o acesso à praia degradado.

Proposta moderna de equipamento público de lazer, de contemplação, e de preservação da memória. Ideia é manter o trapiche no mesmo local e utilizar projeto inicial da prefeitura com novos itens.

Conheça o Trapichômetro

Objetivos principais do site:

1. Preservar as memórias coletivas do Trapiche da Praia da Saudade;
2. Cobrar da prefeitura o cumprimento da promessa de reconstrução que deveria ter sido cumprida há 3 anos (faz 3 anos no dia que queremos publicar o site).

Como funciona?

Ao entrar no site pelo link https://trapichometro.lovable.app/ , será apresentado ao usuário um questionário opcional com 11 perguntas, convidando-o a dar sua opinião sobre a Reconstrução do Trapiche. Caso ele não queira responder, apenas terá que “fechar a janela” para ter acesso ao conteúdo do site.

Qual o conteúdo do site?

1 – Trapichômetro: Contador que informa há quanto tempo o Trapiche deveria ter sido entregue de acordo com a promessa da Prefeitura (Topázio), que seria no aniversário de Florianópolis de 2023 (23/03/2023).

2 – Linha do Tempo: Conta – numa linha do tempo – a história do Trapiche, até a data atual.

3 – Antes e depois: Duas fotos ilustrativas e comparativas do Trapiche no seu auge e o Trapiche no seu declínio (antes da demolição).

4 – Mural de memórias: Histórias reais de quem viveu e amou o nosso trapiche. Cada usuário poderá registrar memórias no site, através da funcionalidade “Partilhe sua Memória”, onde ele deixará seu nome, seu e-mail, o título da memória, uma foto do Trapiche (opcional), o ano da foto (opcional) e o relato da sua memória. Cada usuário que registrar um momento.

5 – Perguntas Frequentes: Esclarecimentos sobre: objetivo deste projeto, como participar, se há vínculo político-partidário, se a pessoa pode compartilhar o site, se a foto que a pessoa coloca no mural se tornará pública.

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