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Escola Presidente Roosevelt comemora 77 anos de fundação no bairro de Coqueiros.

Na próxima segunda-feira, dia 9 de novembro, a Escola de Educação Básica (EEB) Presidente Roosevelt celebra 77 anos de existência. Para marcar a data, uma pequena programação está sendo organizada para comemorar o aniversário da tradicional escola de Coqueiros. As comemorações iniciam às 10h com apresentação da banda do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina e, à tarde, a partir das 15h, apresentação do Projeto Marambolê, grupo musical formado por jovens da Vila Aparecida.

“Não deu tempo de planejar uma programação mais extensa”, diz a diretora Charlene Edna Eger que acaba de assumir a gestão da escola. Transferida do colégio Professor Benoníveo João Martins, da Palhoça, Charlene afirma que aceitou o desafio e que tem pela frente um leque de atribuições para administrar.

Entre elas, a continuidade das obras de infraestrutura do prédio que envolvem troca do telhado dos corredores das salas de aula, pintura interna e externa, além de outras reformas como da substituição do portão de entrada da escola. “Uma parte do telhado já foi consertada. A expectativa, agora, é que o restante das obras esteja concluído até o final do ano”, aponta Charlene, lembrando que as cortinas das janelas da escola também foram trocadas com recursos da Associação de Pais e Professores (APP).

Diretora Charlene Eger diz que até o final do ano as obras de infraestrutura no prédio deverão estar concluídas.

Problemas de infraestrutura são recorrentes e já conhecidos da comunidade. Um bom exemplo aconteceu no primeiro turno das eleições gerais de 2026, dia 4 de outubro. Como o colégio pertence à 12ª Zona Eleitoral de Florianópolis, eleitores que foram votar tiveram que enfrentar goteiras no corredor de entrada da instituição. Na data, uma chuva persistente se prolongou durante todo o domingo.

“O maior perigo se deu por conta das goteiras que estavam próximas às luminárias, além do chão escorregadio, o que poderia provocar quedas de eleitores. E em dias normais, um risco para os alunos”, avalia Leonardo Contin, presidente da Associação dos Moradores de Coqueiros – Pró-Coqueiros – que participou também das eleições como presidente da seção 567 da Zona Eleitoral.

UM POUCO DA HISTÓRIA

Inaugurado no dia 9 de novembro de 1949 pelo ex-governador de Santa Catarina Nereu Ramos (na época senador e exercendo o cargo de vice-presidente da República), o então “Grupo Escolar Presidente Roosevelt” está, há quase oito décadas, integrado à história e à paisagem do bairro de Coqueiros. “Foi, sem dúvida, um dos acontecimentos mais significativos nesta Capital”, publicava o Jornal O Estado, em 11 de novembro de 1949, por ocasião da inauguração da escola (veja abaixo).

Pelos seus bancos escolares, já passaram várias personalidades do bairro, da cidade e muitos alunos e alunas que retornaram como mestres. Uma delas é a professora Silvana Rúbia Schreiber, que ingressou no então primário, aos 7 anos, e atualmente coordena a biblioteca da escola.

Entre o manejo de um livro e outro nas prateleiras, Silvana relembra de fatos que marcaram a sua trajetória escolar e de tantos outros estudantes do Roosevelt. “O colégio mantinha até uma enfermaria. Ali, os alunos recebiam vacina, atendimento odontológico e os cuidados de uma enfermeira”, atesta, ao recordar do vasto terreno que abrigava a escola:

“Nosso recreio acontecia em dois locais: uma parte na área que hoje é ocupada pelo Cefid, e outra aqui embaixo na escola. Tínhamos o chamado Pelotão de Saúde, que monitorava os alunos de cada sala para impedir lesões durante as atividades esportivas. Havia um rodízio entre os alunos e a gente se orgulhava da Cruz Vermelha estampada na roupa. Era uma maneira de se sentir importante e responsável”, conta Silvana.

Silvana estudou na escola e hoje coordena a biblioteca. Atualizou o acervo de livros para despertar o interesse dos alunos.

INCENTIVO À LEITURA

Prestes a se aposentar depois de 30 anos trabalhando na escola, destes 25 em sala de aula, Silvana diz que repaginou a biblioteca com novos livros de interesse das crianças e dos adolescentes. Como exemplo, ela cita literatura mais moderna como Grande Sertão Veredas, em quadrinhos, livros históricos como Robin Hood, romances e obras de ficção como Harry Potter, além dos apreciados Gibis.

Também criou projetos para incentivar o gosto pela leitura através de trabalhos. Ela cita alguns: Sarau de Poesias; Caixa de Leitura sobre Bulling; Literatura de Cordel; Trabalho sobre Literatura Indígena; Nuvem de Empatia; Além das Estantes.

“Leio desde os 12 anos por estímulo dos meus pais”, diz Manoela. Por sua vez, a amiga Isabela comenta que foi Manoela que a incentivou a ler. O colega Kauê diz que o hábito da leitura começou ano passado porque, segundo ele, melhorou o seu raciocínio. Já o Pedro confessa que prefere o esporte do que a leitura, mesmo assim começou a se interessar por causa dos projetos promovidos pela biblioteca.

Em comum, além da idade, 16 anos, todos estão cursando o 1º ano do Ensino Médio e retirando livros na biblioteca.

Kauê, Pedro, Isabela e Manoela com a professora Silvana: pegar livros na biblioteca já virou rotina dos alunos.

Silvana mostra o clássico Grande Sertão Veredas em quadrinhos e gurizada faz pose pra foto depois da entrevista.

PATRIMÔNIO CULTURAL

Para a comunidade de Coqueiros, que inclusive já se mobilizou diante da relevância do tema, a escola deveria ser reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural de Florianópolis. No entanto, a sua memória não foi preservada. A começar pelas cores originais da fachada, rosa e branca, hoje substituídas pelas cores da Bandeira de Santa Catarina, palha e verde. A mudança se deu, através de decreto estadual, para padronizar as escolas da rede pública do Estado.

Do mobiliário antigo, poucos foram protegidos: ainda restam algumas cadeiras de professores, carteiras coletivas, entre outros. Mesmo assim, a diretora planeja criar um espaço para acomodar os objetos da época. Um bom projeto, com certeza, para tentar salvaguardar algum pedaço da história.

E para o próximo ano, Charlene anuncia outro projeto: uma parceria com a Escola Técnica Geração que vai ofertar 30 vagas para dois cursos: jogos digitais e técnico em enfermagem. Os cursos estão voltados para os alunos do Ensino Médio.

SAIBA MAIS

A Escola de Educação Básica (EEB) Presidente Roosevelt possui 635 alunos divididos, em dois turnos, entre o Ensino Fundamental, de 6 a 14 anos, e Ensino Médio, de 15 a 17 anos. Além das 15 salas de aula, possui uma biblioteca, auditório e ginásio de esportes.

MEMÓRIA

Páginas do livro “Escola de Educação Básica Presidente Roosevet, 70 Anos de Amor à Educação” de Alcides Vieira de Almeira, ex-aluno e ex-professor. Imagens enviadas pelo ex-aluno Alencar de Araújo Rosa.

Texto e fotos: Sibyla Loureiro/Folha de Coqueiros

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