Informação foi divulgada em reunião do Conselho Local de Saúde. Coordenadores pedem apoio aos demais conselhos.

Falta de espaço obriga o Conselho Local de Saúde a realizar reuniões numa sala apertada de curativos.
Foto Leonardo Contin
Depois de 10 anos de espera, novamente a esperança se renova na vida dos moradores da Vila Aparecida, em Coqueiros. O projeto do novo Centro de Saúde da comunidade já está em processo de licitação, segundo informou a secretária executiva do Conselho Municipal de Saúde, Gerusa Machado.
A boa notícia aconteceu em reunião do Conselho Local de Saúde que teve, como pauta, justamente a construção da unidade, que será erguida ao lado da creche Professora Antonieta de Barros. “A expectativa é que a obra comece até o final do ano e no máximo em 2027”, coloca Gerusa (veja abaixo).
O pedido dos moradores, que já se arrasta por vários anos, está diretamente ligado à falta de espaço para acolher o crescente número de usuários da unidade. São apenas duas equipes de saúde para atender cerca de 6 a 7 mil usuários cadastrados no Centro de Saúde.
Pra completar, o espaço é pequeno e não comporta, sequer, uma sala de vacina. No local, estão acomodadas 10 salas distribuídas em cinco consultórios, farmácia, sala de curativos, recepção e apenas um banheiro para o uso de servidores e usuários.
“Um cadeirante ou uma pessoa obesa não tem condições de utilizar o banheiro de tão reduzido que é o local”, aponta Maria Gorete, coordenadora do Conselho Local de Saúde, que reclama também da dificuldade de conseguir consultas médicas.
“A orientação é que os usuários marquem consultas médicas pelo Alô Saúde, mas também não estamos conseguindo”, completa. A mesma denúncia foi relatada por mais duas usuárias: Lidia Marques, conselheira, e Daniela, mãe de oito filhos.
“Meu filho estava com febre alta por causa de infecção no ouvido, e não consegui atendimento pra ele na sexta-feira. Fui obrigada a levar o menino na UPA”, lamenta Daniela.
De acordo com a coordenadora do Centro de Saúde, Ester Azevedo, a falta de profissionais na sexta-feira se dá por causa de visitas domiciliares. “Já é um dia fixo para essa atividade. Sendo assim, uma das equipes fica sem atendimento médico no local”, justifica Ester.
CABINE DE APOIO
Como se trata de uma comunidade em vulnerabilidade social, totalmente dependente do SUS e, muitas vezes, sem o recurso da tecnologia, o Centro de Saúde disponibiliza uma “cabine” para os usuários entrar em contato com o Alô Saúde, por exemplo. Trata-se, na verdade, de um pequeno espaço junto à recepção.
Funcionando desde 1993, o Centro de Saúde trabalha com uma demanda assistencial muito grande com aumento da população, inclusive, de moradores de fora do país como venezuelanos, peruanos, haitianos, entre outros.
APELO
“Estamos fazendo um apelo para que os demais conselhos da nossa região se integrem ao movimento popular para construção da nova unidade. Do contrário, se o Centro de Saúde da Vila Aparecida ficar mais um ou dois anos no mesmo espaço, o atendimento vai colapsar também nos centros de saúde de Coqueiros e do Abraão”, declara a jornalista Cleuse Soares, vice-coordenadora do Conselho Local de Saúde.
Segundo ela, a obra também vai desafogar a demanda dos centros de saúde do Abraão e de Coqueiros, já que, entre outros atendimentos, a aplicação de vacina é feita nestas duas unidades.
PRÓ-COQUEIROS
Presentes à reunião, integrantes da Associação dos Moradores de Coqueiros manifestaram engajamento à mobilização. “Estamos aqui para unir forças e dialogar com a comunidade. Temos demandas semelhantes tanto na área da saúde como em outras frentes”, garante o presidente da Pró-Coqueiros, jornalista Leonardo Contin.
PROGRAMA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
Sobre as visitas domiciliares que acabam sendo mais um problema que reduz o atendimento à população, Gerusa destacou na reunião que existe um Programa do Ministério da Saúde de Atenção Domiciliar. “Trata-se de uma equipe que faz esse atendimento nas comunidades e dá esse suporte para evitar a falta de profissionais nos centros de saúde. Mas, para isso, precisa a adesão do município, e Florianópolis não aderiu”, lamenta.
NOTA DO CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE
As empresas terão até as 14h do dia 14 de outubro para apresentar as propostas de valores para fazer a obra do novo CS Vila Aparecida. Depois disso, os envelopes serão abertos e conhecida a empresa ganhadora. Aí inicia o prazo para questionamentos e recursos por parte das demais empresas. Não há uma data limite para o fechamento dessa parte do processo, porque vai depender de ter ou não recurso e o tipo de recurso.
EM TEMPO: A Folha de Coqueiros também solicitou informações do projeto da nova unidade de saúde da Vila Aparecida à Prefeitura de Florianópolis. Tão logo enviadas, serão divulgadas ao público.


Participaram da reunião do dia 25 de setembro, sexta-feira: a secretária executiva do Conselho Municipal de Saúde, Gerusa Machado; a coordenadora do Conselho Local de Saúde da Vila Aparecida, Maria Gorete; a vice-coordenadora do Conselho Local de Saúde da Vila Aparecida, Cleuse Soares; a conselheira Lidia Marques; a coordenadora do Centro de Saúde da Vila Aparecida, Ester Azevedo; os técnicos de enfermagem do Centro de Saúde da Vila Aparecida, Jair e Jéssica; a usuária Daniela; o presidente da Associação dos Moradores de Coqueiros, Leonardo Contin; a coordenadora do Conselho Local de Saúde de Coqueiros, Lisete Contin; e as jornalistas Sibyla Loureiro, da Folha de Coqueiros; e Márcia Quartiero, do Blog do Abraão.