

Professora Rita Paulino e editora da Folha, Sibyla Loureiro, e apresentação do trabalho pela jornalista Fernanda Gobbi.
O jornal Folha de Coqueiros tornou-se objeto de duas pesquisas científicas desenvolvidas na disciplina Análise de Redes Sociais e Inteligência Artificial Aplicada, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia, Gestão e Mídia do Conhecimento (PPGEGC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A disciplina é ministrada pelos professores Rita Paulino e Alexandre Gonçalves e propõe a aplicação de técnicas de Inteligência Artificial (IA), Teoria dos Grafos e Análise de Redes Sociais (ARS) em diferentes contextos informacionais e sociais. Entre os trabalhos desenvolvidos, duas pesquisas utilizaram o acervo da Folha de Coqueiros como estudo de caso para investigar como o jornalismo local ajuda a construir, preservar e revelar a memória de uma comunidade ao longo do tempo.
Os trabalhos foram realizados por Gustavo Simas da Silva, aluno de doutorado do EGC e morador do bairro de Coqueiros, e pela jornalista Fernanda Gobbi Alves, participante da disciplina. As pesquisas analisaram um conjunto de 817 notícias publicadas entre 2021 e 2025, transformando o acervo jornalístico do bairro em redes de conexões capazes de identificar temas recorrentes, relações entre lugares, atores sociais e problemas urbanos presentes no cotidiano da região continental de Florianópolis.
A partir da ciência de redes e da Inteligência Artificial, os pesquisadores conseguiram mapear como diferentes pautas se conectam territorialmente e discursivamente no bairro. Temas como mobilidade urbana, segurança, meio ambiente, comunidade, cultura e gestão pública formaram redes complexas que revelam os principais desafios, demandas e identidades da região.
Entre os resultados encontrados, os estudos identificaram que Coqueiros funciona como núcleo central da memória jornalística local, enquanto áreas como Itaguaçu, Bom Abrigo, Praia da Saudade, Praia do Meio e Abraão aparecem associadas a temas ligados à circulação urbana, qualidade de vida, preservação ambiental e uso da orla.
As análises também destacaram a importância das vias estruturantes do bairro, como a Avenida Engenheiro Max de Souza, Avenida Almirante Tamandaré e Rua Desembargador Pedro Silva, frequentemente relacionadas a debates sobre trânsito, segurança viária e mobilidade urbana.
Segundo os pesquisadores, os resultados demonstram que o jornalismo hiperlocal vai além da cobertura factual cotidiana. O jornal de bairro atua como um mecanismo de memória coletiva, registrando problemas urbanos, transformações sociais, reivindicações comunitárias e processos históricos que ajudam a fortalecer a identidade local.
Outro aspecto evidenciado pelas pesquisas é o papel do Folha de Coqueiros como mediador das lutas comunitárias. Ao longo dos anos, o jornal documentou reivindicações relacionadas à infraestrutura, trânsito, preservação ambiental, segurança e melhorias urbanas, funcionando como espaço de visibilidade pública para demandas da população.


Os pesquisadores reforçam ainda que a Inteligência Artificial não substitui o jornalismo, mas amplia sua capacidade de organização, interpretação e análise de grandes acervos de notícias. A integração entre IA, Processamento de Linguagem Natural e Teoria dos Grafos permitiu transformar o acervo do jornal em mapas relacionais capazes de revelar padrões invisíveis em leituras tradicionais.
Para os autores, iniciativas como a Folha de Coqueiros demonstram a relevância do jornalismo local como patrimônio social e informacional da cidade. Mais do que informar, jornais comunitários ajudam a preservar memórias, conectar pessoas e fortalecer o sentimento de pertencimento de uma localidade.

As pesquisas também apontam o potencial da IA aplicada ao jornalismo para apoiar estudos sobre memória social, planejamento urbano, participação cidadã e gestão do conhecimento em comunidades locais.

Professores Rita Paulino e Alexandre Gonçalves com alunos da disciplina Análise de Redes Sociais e Inteligência Artificial Aplicada.


Professora Rita Paulino com as jornalistas Sibyla Loureiro, editora da Folha, e Fernanda Gobbi, participante da disciplina.