folha-de-coqueiros-logo

Campanha “Cadê o Nosso Trapiche” quer a reconstrução do píer e acesso à Praia da Saudade.

Depois da espera de mais de dois anos pela reconstrução anunciada pela Prefeitura de Florianópolis, a comunidade de Coqueiros acaba de lançar a Campanha “Cadê o Nosso Trapiche”?, em referência à demolição do píer da Praia da Saudade. Moradores defendem a sua preservação por fazer parte do patrimônio histórico de Coqueiros, e por representar um símbolo de uma época em que Coqueiros era o balneário da moda e ponto de encontro de pessoas de toda a cidade.

Entre tantos fatos que envolvem a sua história, cabe destacar, aqui, que o píer chegou a ser escolhido pela Rede Globo, em 1996, para gravação de um capítulo da novela Vira Lata.

Frequentador assíduo do trapiche, Carlos Alberto Zago costumava pescar nos momentos de lazer.
Foto Gerson Schirmer/arquivo Folha de Coqueiros/Outubro de 2010/

A reconstrução do Trapiche da Praia da Saudade está de aniversário. A obra, que deveria ser concluída em outubro de 2024 – conforme placa indicando o início da restauração – está paralisada há quase dois anos. Até agora, apenas a demolição do antigo píer – localizado no final da Rua José do Valle Pereira – foi executada deixando, inclusive, um rastro de abandono no local.  

Fotos Divulgação Folha de Coqueiros

“É a exclusão de quem vive a poucos metros do mar”, diz a moradora Taís Damasceno Medeiros referindo-se à falta de infraestrutura de acesso à Praia da Saudade.  “Existe apenas uma escadaria precária, com degraus enormes e uma pedra instável, que torna a descida impossível com uma criança”, aponta Taís, que mora na Rua Vereador José do Valle Pereira e costuma passear com a filha todas as manhãs.

Para evitar o risco, ela é obrigada a dar a volta na quadra e buscar o acesso pelo estacionamento do antigo Trintão. É o caminho mais próximo, mas é um desvio que não deveria existir se tivesse a infraestrutura prometida.

“O que mais nos indigna é que havia uma esperança: a obra de reconstrução do trapiche estava em execução, com projeto e licitação aprovados, mas foi paralisada em 2024”. “Desde então, o canteiro virou silêncio”, completa Taís.

Assim como Taís, outros moradores estão questionando a continuidade da construção do novo píer. “Queremos apenas o direito de acessar nossa praia com segurança e o respeito de saber porque uma obra pública parou no meio do caminho”, diz Fellipe Hoffmann, acrescentando:

 “Lá se vão quantos anos? Quanta energia gasta?Seria muito importante termos o retorno e prestação de contas da prefeitura depois de tudo que fizemos. Teve projeto, licença ambiental, licitação, verba, placa de obra de reconstrução, denúncia ao MP, abaixo-assinado com mais de 700 assinaturas. E o único executado foi a demolição. Saiu placa, saiu acesso à praia. Vieram explicações não compreensíveis, oficinas, formulários, ideias “inovadoras”. Só não vieram mais aqui”, denuncia Fellipe Hoffmann.

“Situação ridícula essa que estamos vivenciando. O novo Trapiche era para ter sido entregue em 2024. Já estamos em 2026”, aponta a moradora Tatiana Freitas.

PROJETO

Prefeitura de Florianópolis anuncia a reconstrução do trapiche da Praia da Saudade, em Coqueiros, dia 21 de setembro de 2022. Prefeito Topázio Neto e então secretário de Infraestrutura, Valter Gallina, assinaram a ordem de serviço no Centro Cultural do Continente. Projeto previa a demolição do antigo píer e a construção de um novo no final da Rua Vereador José do Vale Pereira. Ao invés de concreto, ele teria piso de madeira tipo deck, bancos e pergolado para contemplação. Prefeito anunciou, na ocasião, inaugurar a obra em março de 2023.

DEBATE
Reunião promovida pelo Conselho de Segurança de Coqueiros (Conseg 31) no dia 12 de fevereiro de 2025, com a participação da Prefeitura de Florianópolis, não chegou a nenhum consenso. Ao contrário, assunto dividiu a opinião das mais de 70 participantes, entre moradores, representantes de órgãos públicos, vereadores, lideranças comunitárias e jornalistas. Na pauta, o retorno das obras do Trapiche da Praia da Saudade, paralisadas em 2024, após a demolição da antiga estrutura.

De um lado, vizinhos ao píer, defenderam a não construção do trapiche no mesmo local – por falta de segurança e aumento da criminalidade – e também apresentaram outra proposta de equipamento público, no canto da praia encostado no Colégio Visão.

Do outro lado, moradores defenderam a preservação da história e memória do trapiche, erguido há mais de 60 anos na Praia da Saudade. Portanto, solicitaram à prefeitura a manutenção do Projeto de Reconstrução do Trapiche apresentado pelo prefeito Topázio Neto, em setembro de 2022.

Fellipe Hoffmann entrega ao secretário Rafael Rhane abaixo-assinado – com mais de 700 assinaturas – pedindo o retorno das obras.
Fotos Paulo Capocci/Arquivo Folha de Coqueiros.

OFICINAS

Iniciou dia 26 de março de 2025 a primeira das três oficinas marcadas pela Prefeitura de Florianópolis para debater o destino do Trapiche da Praia da Saudade. O encontro, que aconteceu na sede da Guarda Municipal, em Coqueiros, foi conduzido pelo secretário adjunto do Continente, Bruno Becker, e a abertura apresentada pelo engenheiro Ricardo Junkes, da Infraestrutura (foto).

A proposta, segundo Bruno, era apresentar o projeto da obra para ver se ele atenderia às necessidades da comunidade ou quais alternativas que as entidades presentes poderiam sugerir como melhorias para o projeto. Para tanto, participaram as associações de Coqueiros, do Bom Abrigo, do Abraão, do Bloco da Bernunça, e representantes do Codecon, do Conseg, da Folha de Coqueiros e do Blog do Abraão.

Fotos Márcia Quartiero/Blog do Abraão.

UM POUCO DA HISTÓRIA DO TRAPICHE

* A partir do final dos anos 60 e durante a década de 70, o trapiche da Praia da Saudade era um dos lugares mais movimentados de Florianópolis.

* Conforme o morador José Rui Soares, o trapiche de Coqueiros teria sido construído nos anos 60 pelo jornalista Manoel de Menezes, que sobre a pequena ilhota existente ao final da passarela fez o Restaurante Atlântico, que mais tarde passou a se chamar Arrastão.

* Já em estado de abandono, o restaurante foi demolido no início da década de 80.

* Em 1995, a prefeitura promoveu uma reforma, batizando o local de Largo dos Menezes em homenagem à família do jornalista Manoel de Menezes. A área voltou a ser ponto de encontro dos moradores de Coqueiros.

 * Em dezembro de 2003, é colocada nova iluminação e realizada obras de reforma e manutenção.

* O processo de abandono se intensifica a partir de 2005, quando o local é alvo de vândalos.  Cercas de proteção são quebradas, e a estrutura e os bancos pichados. Cacos de vidro, lixo acumulado e usuários de drogas preocupam moradores que pedem proteção à polícia.

* Em setembro de 2010, a gaúcha Edilene Bonfada Cardoso informa que o local pertence à sua família e diz que ele esta à venda por R$ 1 milhão. A palavra “Vende-se” é pintada no piso de concreto do trapiche. A concessão, segundo ela, teria sido repassada pelo jornalista Manoel de Menezes ao seu pai, o empresário da noite Wanderlei da Silva Cardoso.

* Em março de 2012, o trapiche é interditado pela Defesa Civil, já que muitas muretas de proteção foram destruídas. A placa que impede a passagem é derrubada em menos de 30 dias.

* 16 de setembro de 2014, após reunião com o Ministério Público de Santa Catarina, Defesa Civil informa que há risco de desmoronamento do trapiche e que a orientação é pela derrubada da estrutura, bem como pela interdição do local.

* 19 de setembro de 2014 – Trapiche é interditado pela Defesa Civil.

* 23 de setembro – força-tarefa da ACE (Associação Catarinense de Engenheiros) visita o local e diz que estrutura do trapiche é perfeitamente recuperável e não corre nenhum risco de colapso.

*Além do aspecto técnico, os engenheiros argumentam que é preciso levar em conta outros fatores, como a preservação da memória da cidade e o uso do mar.

* 3 de outubro – ACE entrega ao prefeito manifesto e parecer reafirmando sua posição contra a demolição.

*18 de dezembro de 2014 – audiência pública para debater o destino do Trapiche, no auditório do IFSC de Coqueiros. Audiência solicitada pelo vereador e urbanista Lino Peres.

*21 de setembro de 2022- Prefeito Topázio Netto e secretário da Infraestrutura Valter Galina assinam ordem de serviço para início das obras de reconstrução do Largo Manoel de Menezes.

*Prefeito prevê, na ocasião, o término da obra para março de 2023 durante as comemorações de aniversário de Florianópolis. A obra no valor de R$ 2.480.726,49 seria executada pela Construtora Neves & Goulart Ltda. – ME.

* 13 de novembro de 2023 – Começam as obras de demolição, mas dessa vez com outra empresa, a MLA Construções Ltda.

*17 de janeiro de 2024- Reunião aberta à comunidade – promovida pela Associação dos Moradores de Coqueiros – incluiu na pauta a proposta de homenagear o Trapiche da Praia da Saudade com o nome do ex-vereador Renato Cavallazzi, morador da Rua José do Valle Pereira e frequentador do Trapiche. A proposta foi aceita por unanimidade conforme consta na Ata da reunião.

*12 de fevereiro de 2025 – Reunião na Igreja de Coqueiros proposta pelo Conselho de Segurança de Coqueiros, com a participação da Prefeitura de Florianópolis, é realizada para debater o retorno das obras do Trapiche da Praia da Saudade, paralisadas em 2024 após a demolição da antiga estrutura.

*26 de março de 2025- Inicia a primeira oficina promovida pela Prefeitura de Florianópolis para debater o destino do Trapiche da Praia da Saudade. O encontro aconteceu na sede da Guarda Municipal, em Coqueiros, e ficou acertado de a prefeitura promover mais duas oficinas.

*3 de julho de 2025 – Promovida a segunda oficina na sede da GM. Foi entregue um questionário para os representantes de entidades comunitárias solicitando algumas alternativas de projetos para o local.  

BENEFÍCIOS DE UM TRAPICHE

Para o morador Marcelo Santos, um trapiche pode facilitar diversas atividades náuticas, proporcionando acesso seguro e prático à água. Algumas das principais atividades incluem:

Natação: Oferece um ponto de entrada seguro para nadadores.

Caiaque e Canoagem: Facilita o lançamento e o recolhimento de caiaques e canoas, permitindo passeios na costa ou em áreas mais tranquilas.

Stand Up Paddle (SUP): Os praticantes podem acessar facilmente a água para essa atividade, que ganhou popularidade nos últimos anos.

Pesca: Um trapiche pode servir como ponto de pesca, permitindo que os pescadores acessem áreas mais produtivas sem precisar entrar na água.

Motoaquáticas: Acesso para embarcações maiores, como jet skis e lanchas, facilita o uso seguro desses veículos.

Passeios de barco: Facilita o embarque e desembarque de passageiros em excursões de barco ou passeios turísticos.

Eventos aquáticos: Um trapiche pode ser usado como local para a realização de competições, como regatas ou eventos de remo.

Essas atividades promovem não apenas o turismo e o lazer, mas também a educação ambiental e a valorização dos recursos hídricos da região.

DO PONTO DE VISTA ECONÔMICO E COMERCIAL DO BAIRRO E PROXIMIDADES

Atração de visitantes: Um trapiche proporciona um ponto de acesso a várias atividades aquáticas, o que pode atrair turistas interessados em experiências como natação, pesca, caiaque e passeios de barco.

Aumento do tempo de estadia: Turistas que podem participar de atividades recreativas tendem a passar mais tempo na região, o que aumenta a demanda por hospedagem, alimentação e comércio local.

Promoção de eventos: O trapiche pode ser um local ideal para a realização de eventos, como regatas, festivais de verão e competições esportivas, o que pode atrair visitantes de outras localidades e gerar cobertura de mídia.

Desenvolvimento de negócios locais: Com o aumento do turismo, há uma demanda maior por serviços como aluguel de equipamentos náuticos, passeios guiados, restaurantes e lojas, estimulando a economia local.

Valorização da cultura local: Atividades administrativas e culturais, como workshops de artesanato local, podem ser implementadas em conjunto com o trapiche, oferecendo aos turistas uma experiência autêntica da cultura da região.

Educação ambiental: O trapiche pode ser utilizado para promover atividades de conscientização sobre a preservação do meio ambiente, atraindo turistas que se preocupam com a sustentabilidade e a conservação dos recursos naturais.

Acessibilidade: Um trapiche bem projetado pode tornar a praia mais acessível para pessoas com mobilidade reduzida, incentivando um público ainda mais amplo e diversificado a visitar a área.

Melhoria da infraestrutura: O investimento em um trapiche geralmente leva a melhorias em outras áreas da infraestrutura local, como calçadões, áreas de lazer e sinalização, tornando a região mais agradável para os visitantes.

Fonte: Marcelo Santos, Engenheiro de IA

NOTA DA PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS

A Prefeitura de Florianópolis está avaliando qual a melhor intervenção a ser realizada no espaço. Vale destacar que o município se reuniu com a comunidade, em mais de uma ocasião, buscando compreender o desejo dos moradores e com o objetivo de chegar a um denominador comum.

GALERIA

Proposta é colocar o nome do ex-vereador e saudoso Renato Cavallazzi no novo Trapiche.
Fotos João Cavallazzi/Divulgação Folha de Coqueiros

Marcelo Menezes lembra os bons tempos da Praia da Saudade com o bar Arrastão no final do Trapiche.
Fotos Divulgação Folha de Coqueiros

Engenheiros fazem visita técnica e constatam que trapiche pode ser recuperado. E defendem sua preservação pelo aspecto histórico e uso do mar.
Fotos Márcia Quartiero

Falta de manutenção da gestão pública e demora para promover uma reforma leva à demolição total.

O cenário atual do final da Rua José do Valle Pereira: acesso precário à praia e sem segurança.

Grupo de WhatsApp

Agora a Folha de Coqueiros tem um Grupo Exclusivo e Fechado de WhatsApp! Se você quer ter acesso às notícias de Coqueiros e Região, clique no botão abaixo e fique por dentro dos acontecimentos do bairro!