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As sequelas da Covid no cérebro: Especialistas estudam os efeitos da doença

29 MAR 2021


Pessoas que sobreviveram à doença se queixam das chamadas "sequelas da Covid” com sintomas que vão desde perda de paladar e olfato até dificuldades para resgatar informações no cérebro, concentração e atenção

Sendo assim, as manifestações neurológicas de pacientes acometidos por Covid -19 chamam a atenção de cientistas de todo o mundo e são motivo de diversos estudos científicos, a maior parte deles ainda em andamento, com o um objetivo único: entender a relação do vírus com o cérebro humano.

Na live realizada pelo Método Supera para todo o Brasil - por ocasião da Semana Mundial do cérebro - uma parceria do Supera com a Dana Foundation, instituição americana ligada a pesquisas na área do cérebro, o neurologista Adalberto Studart Neto, e a psicóloga Mônica Yassuda destacaram que, embora a maioria dos estudos ainda continuam em andamento, já se sabe que o vírus tem alguma predileção por regiões importantes do cérebro, como a área responsável pela concentração, atenção e memória. O evento contou com 18 mil visualizações e uma audiência de 3 mil pessoas simultaneamente.

“Nós já temos dados no Brasil mostrando as diversas facetas dos distúrbios neurológicos da Covid-19. Diversas regiões cerebrais funcionando de forma alterada, mesmo três meses após o Covid. A doença é muito mais complexa do que poderíamos imaginar e uma das conclusões é que não é exatamente o vírus entrando no cérebro, mas sim o que o vírus faz no organismo que repercute no cérebro, já que o Covid-19 é uma doença sistêmica, ou seja: que afeta vários sistemas importantes do organismo”, explicou o neurologista.

Já Mônica Yassuda destacou, entre outros pontos, as consequências cognitivas da doença para as áreas do cérebro. “O mais importante de forma geral é chamar a atenção para a necessidade das pessoas no pós Covid, quando saem no hospital. Os pacientes - além de todo comprometimento físico - também devem passar por uma avaliação neuropsiquiátrica, com um olhar atento às questões da saúde mental e da cognição e em especial nos processos de alta, já prevendo que vão ter dificuldades em tarefas cotidianas”.

Os efeitos da Covid no cérebro

Em todo Brasil, milhares de pessoas que sobreviveram à doença se queixam das chamadas ‘sequelas do Covid’ ou ‘Covid longa’, com sintomas diversos, que vão desde perda de paladar e olfato até dificuldades para resgatar informações no cérebro, concentração e atenção. Segundo a pesquisadora, os trabalhos científicos até agora convergem para mostrar que existem sequelas cognitivas trazidas pelo Covid-19

“São sequelas que tendem a melhorar com o tempo, e com a recuperação da pessoa, mas, como vimos nos estudos trazidos durante a live, a porcentagem de pessoas que apresentam essas queixas e desempenho ruim nos testes cognitivos é bastante elevada então tem sido um fenômeno bastante comum.

Os trabalhos publicados até agora sugerem mais as dificuldades com atenção, concentração, dificuldades com memória operacional, que é a capacidade de manter dados e trabalhar com funções executivas, mais do que memorização, mas é possível também que estas dificuldades com atenção e concentração também afetem a memorização.

Então se você não está conseguindo prestar atenção em um artigo de jornal que você está lendo você vai ter dificuldade para memorizar, no entanto, a maior parte dos trabalhos não dá destaque a memória,mas, sim, a dificuldades na atenção e disfunção executiva”, pontou Mônica.

Em concordância com a pesquisadora, o neurologista assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Adalberto Studart Neto, chamou atenção para o acompanhamento psiquiátrico e cognitivo no pós Covid “Sintomas psiquiátricos muitas vezes tem essa ligação com questões cognitivas, isso sem dúvida. Nós trabalhamos com fármacos e drogas esses transtornos psiquiátricos, mas, sem dúvida, a reabilitação cognitivaoferece um ganho para as pessoas no pós Covid junto com a abordagem psiquiátrica em alguns casos”, pontou.

Os pesquisadores aproveitaram a oportunidade para falar ainda sobre algumas das principais linhas de pesquisa no mundo “Em fevereiro foi publicada uma revisão sistemática com vários trabalhos em conjunto. Este estudo com vários países, a maioria deles do Canadá observou 644 pessoas contaminadas e identificou que 77% delas apresentaram algum grau de prejuízo cognitivo.

Neste levantamento o delírio foi a condição mais comum: desorientação, incapacidade de pensar com clareza e prestar atenção e flutuações do nível de consciência, com possíveis causas associadas a alteração na atenção e na memória operacional e funções executivas. Alguns pacientes talvez precisem também de reabilitação cognitiva, mas hoje existem vários recursos que são aplicados em larga escala, desde software, jogos, que podem ser úteis neste processo de recuperação”, explicou Mônica.

Isso vai passar?

O principal alerta dos especialistas no pós Covid é para a permanência de sequelas que podem se tornar crônicos. “A maior parte dos pacientes tem queixas que tendem a melhorar, principalmente sintomas de ansiedade.  Porém, alguns sintomas podem se tornar crônicos se não tratados, como a depressão.

Já a ausência de olfato e paladar, é bem variável, tem pessoas que demoram, semanas tem pessoas que demoram meses, mas a princípio, todos recuperam sim”, disse o médico. “Com a recuperação da saúde este quadro de confusão mental aguda e alterações de atenção e funções executivas vão gradualmente desaparecendo, mas acho que é importante que as pessoas estejam atentas a uma possível cronificação, então se alguns meses e passaram, você não está dormindo bem, tem sintomas depressivos, ou outros sintomas busque ajuda enfrentar o pós Covid”, completou Mônica.

O especialista chamou atenção ainda para doenças que podem ser manifestadas no cérebro após o contágio com a Covid-19. “Nós estamos falando de Covid, mas já é sabido que qualquer paciente grave que fique na UTI tem um prejuízo cognitivo que persiste de semanas a meses, e esses pacientes recuperam. A maioria dos pacientes tendem a melhorar. Quando não melhoram é importante investigar a causa porque pode ser que o Covid acelere a manifestação de algo que já estava no cérebro”, alertou o médico.

Neuroplasticidade e reserva cognitiva

A reserva cognitiva é um conceito científico baseado na capacidade do cérebro de suportar ataques quando ele possui um ‘armazenamento de conexões’, algo construído ao longo da vida. Este tipo de reserva, ainda difícil de ser quantificada, segundo doutora Mônica, tem sido também decisiva na resposta de pacientes a casos graves de doenças graves, hoje em especial a Covid-19. “Quando uma pessoa tem uma reserva cognitiva elevada, se ela é acometida por uma doença degenerativa, como o Alzheimer, por exemplo, ela deve suportar mais a doença, demorar mais tempo para manifestar sintomas, porque essa reserva foi construída e o cérebro consegue responder a um ataque.

A literatura nos diz que alguns pontos podem nos ajudar na construção desta reserva: estudar muitos anos, ter uma educação de qualidade ao longo de toda a vida, uma boa alimentação e a prática de atividades físicas. Assim como nós tratamos a saúde de vários órgãos, precisamos cuidar da saúde do cérebro, contribuindo com a formação dessa reserva cognitiva”, disse Mônica.

Já doutor Adalberto lembrou que o conceito de reserva cognitiva é comprovado cientificamente e chamou a atenção para a mudança de mentalidade, que deve estar hoje muito mais ligada a prevenção “Existe um estudo clássico Finlandês, publicado em 2015 em que um grupo de pessoas fizeram atividades físicas, atividades cognitivas, acompanhamento nutricional e outro grupo que não fez isso. O grupo que observou os cuidados teve menos incidência de demência. Este conceito tem comprovação científica e está cada vez mais sendo levado a sério. Nós falamos muito em remédio, mas é necessário mudar esta mentalidade para atuar mais na prevenção”, disse.

Mês do cérebro

Até o final do mês as mais de 350 unidades do Método SUPERA no Brasil seguem com várias ações voltadas para a orientação da sociedade sobre os efeitos da nova doença para o órgão mais importante do corpo humano. “Estamos acompanhando muito de perto a fala dos principais especialistas do Brasil neste momento e já recebendo em nossas escolas alunos que procuram o SUPERA no pós Covid.

Sabemos que a doença pode ter ainda outros desdobramentos para a sociedade, a médio e longo prazo, mas o nosso dever neste momento é nos aproximar de pessoas que são referência científica no assunto para orientar nossos alunos da melhor maneira possível”, concluiu Bárbara Perpétuo, vice-presidente do Método SUPERA.

SERVIÇO

- Fones: (48) 98801-0352 ou 3209-0902

- Rua Marques de Carvalho, 73, Coqueiros - Floripa

- Whatsapp – Grupo: https://chat.whatsapp.com/Jln6RGjrtXkH0Q5aSzIT0l

- Site: www.superafloripa.com.br

- e-book gratuito: http://bit.ly/ebook-cerebro-covid

 


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