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Corte de árvores tem autorização da Floram

8 MAR 2019


Cerca de 16 árvores foram removidas e podadas nos últimos dias em uma das últimas áreas verdes do bairro de Coqueiros. O corte, que iniciou no feriado de Carnaval, pegou de surpresa os vizinhos que resolveram pedir ajuda através das redes sociais, depois de filmar a ação dos operários. “Acordei as 6h de hoje (quinta-feira, dia 7) com o barulho da motosserra derrubando uma árvore”, diz o geógrafo Paulo da Silva, morador do Condomínio Versalhes, que fica ao lado do terreno.  Trata-se de um pedaço de Mata Atlântica que fica atrás do Posto 4 Ilhas, na Avenida Engenheiro Max de Souza, próximo ao Supermercado Imperatriz, em Coqueiros.

Mobilizados para evitar a destruição das árvores, os moradores, porém, ficaram impedidos de se manifestarem depois de constatar que a iniciativa estava apoiada em autorização expedida pela Floram. Por sua vez, a Fundação do Meio Ambiente justificou a licença com base em laudo geológico da Defesa Civil Municipal que constatou risco de queda das árvores devido aos ventos fortes e possível deslizamento provocado pela má condução de águas pluviais e lançamento indevido de afluentes domésticos *.

“Já caíram várias árvores aqui”, aponta o empregado José Adilson, que trabalha no local há dois anos e mora numa edícula atrás do Posto 4 Ilhas. Segundo ele, o corte foi solicitado pela proprietária do terreno para evitar possíveis acidentes com quedas de árvores na área do estacionamento, que fica atrás do Posto de Combustível. Ainda de acordo com Adilson o lugar é usado, principalmente, pelos usuários do Food Truck construído próximo ao local. “Imagina se desaba uma árvore em cima de um veículo”, questiona o empregado que faz manutenção do lugar.

PROBLEMA JÁ É ANTIGO

Uma das principais causas da queda das árvores, além, é claro, da falta de poda, é a ausência de drenagem pluvial na Rua Antônio José Duarte, localizada nos fundos da área verde. Em consequência, o escoamento da água da chuva é feito diretamente no terreno provocando a erosão do solo. “É uma ilegalidade da Prefeitura de Florianópolis jogar água pluvial dentro do terreno particular. Por causa das águas, estamos perdendo a vegetação e colocando várias famílias em risco de deslizamento da encosta”, lamenta o vereador Pedrão.

Mas nem só os moradores do Condomínio Versalhes estão preocupados com a situação do terreno. O síndico do Residencial Mirante do Porto, Luiz Cordioli, localizado na Rua Antônio José Duarte, também já registrou o volume de água que sai das bocas de lobo diretamente para o terreno. “O píer e o muro construídos aqui e que separam a nossa rua do terreno já estão ameaçados a exemplo do muro que divide a área do Condomínio Versalhes que pode desabar a qualquer momento”, aponta.

PLANO DIRETOR

Segundo o vereador Pedrão, que esteve no local junto com a redação da Folha e moradores, a área em questão - pelo Plano Diretor - não é considerada uma AVL (Área Verde de Lazer), nem APP (Área de Preservação Permanente) - é uma ARP 2.5, ou seja, uma Área Residencial Predominante, e o proprietário pode construir até dois andares com 50% de aproveitamento.

Já a Associação de Coqueiros – Pró Coqueiros – que está acompanhando a questão da alteração no Plano Diretor naquela área diz que não são apenas dois andares, mas seis pavimentos, pois segue o mesmo gabarito da via principal. “Temos vários encaminhamentos pedindo para área voltar a ser AVL. Infelizmente, a justiça manteve o Plano Diretor de 2014 onde a área é passível de construção e deixou de ser AVL. Vamos tomar providências também junto aos órgãos públicos com relação ao corte das árvores e drenagem do terreno”, garante a secretária da Pro Coqueiros, Beatriz Cardoso.

SAIBA MAIS

Laudos Defesa Civil e Floram:

“Todas as árvores de grande porte devem ser retiradas ou podadas radicalmente (retirada de toda a copa deixando um tronco de até quatro metros que deverá sofrer podas regulares para não crescer muito) em uma extensão de oito metros, margeando a linha que divide o terreno com o Condomínio Versalhes”.

“Identificamos importante processo erosivo no interior do terreno, causa da instabilidade de algumas árvores existentes, provocada pelo escoamento superficial de águas pluviais... Recomenda-se fortemente a implantação de sistema de drenagem no terreno objeto direcionando-as para rede de drenagem pública”.

“As árvores não poderão ser retiradas sem as devidas anuências e deverá ser executada por profissional experiente, haja visto que esse trabalho apresenta riscos de vida e portanto o profissional deverá estar equipado com EPIs e maquinário documentado e registrado”.

“Efetuar o plantio de no mínimo 10 espécies florestais nativas de Mata Atlântica de pequeno porte nos pontos que ficar desprotegido das espécies autorizadas”.

Leia o laudo completo da Defesa Civil acessando o http://www.folhadecoqueiros.com.br/noticias/detalhe.aspx?id=73164

 

 


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