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Uma praça e uma horta em terreno abandonado

7 AGO 2017


Terrenos abandonados, que viram abrigo para usuários de drogas e depósito de lixo, são comuns por toda a cidade. A reação usual nesses casos são os vizinhos se limitarem a reclamar do poder público e continuar a conviver com o problema. Correto? Não entre um grupo de moradores do Abraão, que transformou um espaço tomado pelo mato numa praça e em uma horta de dar inveja.

O local fica atrás da Academia Atlas, num “triângulo” formado pela Rua Pedro Andrade Garcia, Travessa João Acelino de Senna e Rua Bias Peixoto. Há pouco mais de dois anos, os vizinhos tinham medo de caminhar pelas imediações, pois a área – com restos das sapatas de fundação de um empreendimento imobiliário abandonado ainda no início – servia de dormitório, depósito de lixo e para o consumo de drogas. “Os assaltos eram frequentes”, lembra-se a síndica do edifício Alvorada, Rosemiriam  Silveira.

Cansada dessa situação, ela decidiu enviar uma mensagem pelo whatsapp para o grupo de vizinhos propondo que todos se cotizassem para a realização de melhorias no espaço. O retorno não foi muito animador, mas não impediu que as primeiras ações começassem a ser feitas, a começar pela limpeza do terreno. Depois, veio o ajardinamento e, por iniciativa do marido de Rosemiriam, a construção da horta. As mãos experientes e dedicadas do engenheiro aposentado Edson fizeram vingar na terra carambolas, tomates, mamão, banana e vários tipos de tempero.

Também há espaço para o cultivo de ervas medicinais. “Tem pessoas que vem de outros bairros para buscá-las”, conta orgulhosa Rosemiriam.

Neste processo de transformação e ocupação, um passo foi decisivo: a cessão temporária da área aos moradores pelo proprietário da Saibrita Mineração e Construção. Este aval deu segurança para continuar o projeto. Hoje, o espaço conta com balanço para a criançada e bancos e mesas, todos feitos com material reciclado. Ao invés de evitar o local, os moradores fazem questão de parar ali, para  conversar, tomar chimarrão, passear com os cachorros ou apenas para ouvir o canto dos passarinhos.

         Claro que nem tudo são flores, que o diga Edson Silveira, que dedica muitas horas a este projeto e fica inconformada com a falta de participação de alguns e, também, com o desleixo verificado em relação ao lixo. Não era incomum pessoas entrarem na horta e pegar frutas ainda verdes, sem qualquer cerimônia, o que obrigou à colocação de uma cerca. “É claro que o esforço compensa, mas não tem como evitar de ficarmos um pouco chateados”, observa ele.

A assistente social Jane Braga, que mora também em frente à área e acompanha o projeto desde o início, considera que o processo de conscientização é lento e demorado. Mas otimista, acredita que aos poucos as pessoas percebem a importância da convivência comunitária e do respeito mútuo. “Com o tempo, cada um entende que precisa deixar a fruta amadurecer para colher.”

Texto e foto Márcia Quartiero


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