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Exemplo de amor à natureza

20 FEV 2017


   MEMÓRIA
( TEXTO ESCRITO EM AGOSTO DE 1999) 
Por Sibyla Loureiro

               Quem sai da Via Expressa e se dirige ou para a Ilha ou para o bairro de Coqueiros pela rua Desembargador Sálvio Gonzaga, não imagina que o canteiro central que divide estas duas ruas foi adotada por uma senhora há quase 10 anos.  Dona Benta Isabel Oliveira, 70 anos, que mora em frente ao movimentado cruzamento, transformou o local num verdadeiro pomar. Ali, pode-se encontrar várias árvores frutíferas como goiabeira, pitangueira, bananeira, limoeiro, além de pés de amora, romã, pitanga, araçá, algodão, entre outros. Sem contar, as belas flores e folhagens que ornamentam a pracinha que, de quebra, ainda conta com uns bancos improvisados.

            “Resolvi cuidar do terreno porque é justamente o lugar de entrada dos visitantes. Fica próximo às pontes e do Portal Turístico”, justificou dona Benta, que também urbanizou a rótula localizada na avenida Max de Souza com Desembargador Sálvio Gonzaga, em frente ao Saco da Lama. Há 30 anos residindo em Coqueiros, dona Benta diz que o trabalho começou quando foram retiradas as três casas e uma oficina mecânica do local para dar espaço à construção da Via Expressa. “Ficou tudo abandonado”, lamentou.

            Mesmo enfrentando a crítica dos vizinhos, ela iniciou a empreitada com alguns tijolos e um pé de bananeira trazido do aterro do Saco da Lama. “Quando colhi as primeiras bananas, fui logo distribuir para os vizinhos e para antiga dona do terreno e proprietária da oficina mecânica, Amélia Pedroso. Emocionada, ela  me questionou: As frutas foram retiradas da sala ou da cozinha”, brincou dona Benta. Hoje já são quatro bananeiras e várias outras árvores frutíferas.

            Para conseguir as mudas, entretanto, dona Benta percorreu um longo caminho. Cansada de pedir ajuda à Prefeitura e para outros órgãos públicos, ela resolveu agir por conta própria. Comprou as plantas por R$ 0,50 no Horto Florestal do bairro Itacorubi. “Hoje os funcionários da Prefeitura têm um grande carinho para com a pracinha. Toda vez que eles vêm fazer o corte da grama, me chamam para eu mostrar onde deve ser feita a limpeza”, diz dona Benta.

            Viúva há quase 30 anos e mãe de oito filhos, dona Benta é um exemplo de amor à natureza. A dedicação às plantas e preservação do meio ambiente, na verdade, começam na sua residência. Ali, ela mantém um jardim bem-cuidado, plantas medicinais e um viveiro com pássaros artificiais. “Não gosto de prender os animais”, atesta, mostrando os potes de água e de comida que ela espalha pelo terreno para alimentar os passarinhos.

       

Trânsito no local é intenso

             Para se proteger do intenso fluxo de veículos que trafegam em frente à sua casa, na rua Desembargador Sálvio Gonzaga, 136, dona Benta estabeleceu uma rotina diária. Todas as manhãs, das 6 às 8 horas, horário de menor movimento, ela cuida das plantas e remove entulhos deixados por várias pessoas. “Elas têm coragem de jogar sacos de lixo em cima da grama e das flores”, lamenta dona Benta que também enfrenta os acidentes de trânsito na pracinha. Muitas árvores, segundo ela, já foram derrubadas por carros e, por isto, tiveram que ser replantadas.

            Apesar do perigo que corre diariamente, motivo de alerta  dos vizinhos e da família, dona Benta segue com o seu trabalho e se orgulha de estar colaborando para o embelezamento da cidade. “Não devemos cruzar os braços à espera de iniciativas do Poder Público”, ensina. Há três anos, no entanto, ela solicita à Prefeitura uma mesa com bancos de concreto para promover o lazer na praça. “Podem ser semelhantes aos colocados na cidade para jogar dominó”, exemplifica. Como não foi atendida, foram improvisados, com pedras e canos, alguns bancos que hoje estão espalhados no local.            

Texto Sibyla Loureiro

Fotos: Marcelo Bittencourt (reprodução da Edição de número 34 - agosto de 1999 - da Folha de Coqueiros) 

 


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